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História das Palavras: CANDIDATO

Não basta ser honesto, dizia César; tem que parecer honesto. A fim de impressionar pelo visual, então, quem concorria a um cargo público na Roma dos Césares fazia sua campanha vestindo uma toga branca. Se descobrissem que o candidato – do latim “candida tus”, “vestido de branco” – cometera qualquer ato de desonestidade, jogavam lama nele.

Assim, aqueles que permaneciam com as vestes brancas seguiam puros – que, por sua vez, é “candidus” em latim.

A palavra percorreu um longo caminho até chegar à língua portuguesa, chamada pelo poeta Olavo Bilac de “a última flor do Lácio” por ser o último idioma derivado do latim vulgar falado no Lácio, a região italiana onde Roma foi fundada. Mas tanto lá quanto cá, a limpeza da roupa não parecia ajudar a distinguir quem era inocente.

Roma caiu, entre outros motivos, pela corrupção dos seus imperadores e senadores, e muitos dos nossos políticos escondem mais do que manchas nos seus ternos escuros.