O Brasil na II Guerra

O Brasil pouco antes da Segunda Guerra Mundial

por: João Barone

Nas duas décadas posteriores ao final da Primeira Grande Guerra, o Mundo passou por grandes aflições que se estenderam até o começo da década de 30, quando as grandes potências econômicas tentavam se reerguer da crise de 1929, impérios tentavam manter seus domínios geopolíticos, a ideologia comunista se espalhava pelo planeta e regimes de extrema direita afloravam em resposta à expansão do comunismo. No Brasil, Getúlio Vargas subia ao poder, configurando uma das muitas ditaduras que despontavam pela América Latina. O caudilho brasileiro estava decidido a levar o país no caminho do desenvolvimento, mas encontrava grandes dificuldades em conseguir dinheiro e parceiros comerciais no cenário global. Os americanos não estavam dispostos a financiar a siderurgia no Brasil, mas incrementavam as relações comerciais.

O Brasil parecia fadado ao papel de economia agrícola, quando começou a intensificar trocas comerciais com a Alemanha nazista, que prometia investimentos no país e até mesmo a tão sonhada primeira siderúrgica nacional. No final dos anos 30, o Brasil conseguiu até mesmo comprar material bélico alemão para reequipar suas forças armadas, que necessitavam se modernizar urgentemente. A presença alemã na América do Sul aumentava, sendo que no Brasil, o número de integrantes do partido nazista chegou a ser o maior fora da Alemanha. Vargas tinha uma relação cordial com o ditador fascista italiano Benitto Mussolini e a polícia repressiva do Estado Novo - nome do regime que Vargas impôs em 1937 - fez um intercâmbio anticomunista com a famigerada Gestapo de Hitler. Os ideais nazifascistas pareciam encurralar as democracias para um beco sem saída e o ditador Vargas seguia esta cartilha ao pé da letra.

Mesmo com o começo da Segunda Guerra Mundial na Europa em setembro de 1939, o Brasil manteve-se neutro e as relações diplomáticas e comerciais seguiam com italianos e alemães, o que chegou a incomodar os americanos, mais pela ameaça da perda da hegemonia comercial do que por outra razão, pois os Estados Unidos ainda se mantinham isolados do conflito, apesar do veemente  apoio do presidente Roosevelt à Inglaterra. O bloqueio naval imposto aos nazistas pela Inglaterra e França não impediu que navios mercantes alemães continuassem ousadamente realizando suas rotas indo e vindo do Brasil, levando para o Reich importantes matérias primas de toda sorte, como minerais, algodão, couro e café.Navios de guerra ingleses vieram até o Atlântico Sul para afundar e confiscar navios mercantes inimigos, que contavam com a cobertura de naus de guerra da Marinha Alemã.

Couraçado Admiral Graf Spee, navio de guerra da Marinha da Alemanha

 

Não foi à toa que a primeira batalha naval da Segunda Guerra Mundial aconteceu na foz do Rio da Prata em dezembro de 1939, com a caçada e cerco ao lendário couraçado de bolso Graf Spee - que havia afundado um navio inglês na costa pernambucana em setembro - empreendida por uma flotilha inglesa. O moderno navio alemão foi avariado e buscou refúgio no Porto de Montevideo, onde foi destruído por seu comandante para que não fosse capturado pelos ingleses. A guerra começava a chegar perto do Brasil.

Fotos: Blog do Chico Miranda

 

João Barone é mais conhecido como o baterista da banda PARALAMAS DO SUCESSO. Além disso, Barone é um dos brasileiros que mais entendem sobre a participação do nosso país na Segunda Guerra Mundial, tendo escrito dois livros sobre o assunto e produzido o especial O CAMINHO DOS HERÓIS, que estreia no HISTORY na quinta, dia 31 de julho, às 23H.