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pré-história

A mutilação de dedos na Idade da Pedra era uma prática comum

A arte rupestre ainda guarda diversos segredos que ainda estão sendo desvendados. Analisando marcas de mãos em diversas cavernas europeias, arqueólogos sugerem que povos da Idade da Pedra mutilavam seus próprios dedos. Agora os pesquisadores tentam entender o que motivava essa prática.

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Em um trabalho publicado no Journal of Paleolithic Archaeology, pesquisadores mostram exemplos de representações de mãos sem um ou dois dedos em diferentes pinturas de cavernas que datam do período paleolítico superior (que aconteceu há cerca de 50 mil anos). Das 231 pinturas de mãos da Grotte de Gargas, na França, 114 apresentam falta de dedos. Em Cosquer, outra caverna francesa, foi observado algo parecido. Na Espanha, esse fenômeno também é registrado. 

No decorrer dos anos, os cientistas especulavam a respeito desse fato curioso. Acreditava-se que os responsáveis pelas imagens pudessem ter perdido dígitos devido ao congelamento das extremidades ou talvez eles simplesmente dobrassem os dedos na hora de gravar as marcas de suas mãos nas rochas. Então, os autores do estudo procuraram vários documentos etnográficos em busca de uma explicação. Foi quando eles descobriram que 121 grupos ao redor do mundo cultivavam a prática da mutilação de dedos no passado. Na verdade, o costume ainda persiste em algumas regiões.

Esses povos apresentavam várias razões para as mutilações. Alguns deles cortavam dedos para demonstrar luto, já outros faziam isso em cerimônias matrimoniais. Os pesquisadores acreditam que os responsáveis pelas pinturas nas cavernas eram adeptos de algum tipo de ritual de sacrifício. Apesar de levantarem essa possibilidade, os autores do estudo salientam que trata-se apenas uma hipótese e que eles podem estar errados a respeito do fenômeno.  


Fonte: IFLScience

Imagem: Yoan Rumeau, via Wikimedia Commons