CURIOSIDADES

As manifestações populares que mais marcaram a história do mundo

Manifestações populares fazem parte da história das sociedades e podem ser responsáveis por grandes mudanças políticas, sociais, culturais e econômicas no nosso mundo.

Abaixo selecionamos algumas delas que marcaram nossa época. Confira a nossa lista:

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Paris - Maio de 1968


Em maio de 1968, Paris viveu uma grande onda de protestos que reuniu 9 milhões que pessoas. O movimento enfraqueceu politicamente o general De Gaulle, que renunciou um ano depois.

Tudo começou com uma série de conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima da capital francesa. No dia 2 de maio de 1968, a administração ameaçou expulsar os estudantes acusados de liderar o ato. A decisão causou reação imediata dos alunos da universidade de Sorbonne, que se reuniram no dia seguinte para protestar. A polícia reprimiu o protesto com violência e, nos dias seguintes, as ruas de Paris viraram campos de guerra. O Partido Comunista francês deu apoio ao movimento e uma federação de sindicatos convocou uma greve geral. Pressionado, em 30 de maio, De Gaulle convocou eleições para junho. Com a manobra política e promessas de aumentos salariais, o governo controlou a situação.

Imagem: Atelier Populaire [Domínio Público], via Wikimedia Commons


Massacre da Praça da Paz Celestial

Talvez a cena mais emblemática deste evento 1989 seja quando um homem solitário e desarmado fez parar uma fileira de tanques de guerra na China. O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen), também conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, foi uma série de manifestações em Pequim, ocorridas entre 15 de abril e 4 de junho de 1989. Os protestos reuniram desde intelectuais até trabalhadores que pediam mais democracia e rapidez nas reformas econômicas na China. O estopim do movimento foi a morte do líder Hu Yaobang. As manifestações consistiam basicamente em caminhadas pacíficas pelas ruas de Pequim.

O governo chinês, porém, não gostou da ideia e, no dia 3 de junho, tanques e o exército foram enviados à praça de Tian'anmen para acabar com o protesto. Cenas de violência se repetiram durante alguns dias. Segundo a Cruz Vermelha chinesa, 2.600 teriam morrido, além de 7 mil a 10 mil feridos. A repressão do governo chinês foi condenada pela comunidade internacional. No dia 5, ocorreu a famosa cena: um jovem solitário invadiu a Praça da Paz Celestial e faz parar uma fileira de tanques de guerra. Não se sabe quem é ou qual foi o paradeiro do rapaz até hoje.


Primavera Árabe

Ninguém seria capaz de imaginar que o protesto de um jovem tunisiano poderia abalar um país e provocar um movimento de grandes proporções que ficou conhecido como Primavera Árabe. Em 2010, um universitário desempregado que vendia frutas para sustentar a família teve o carrinho confiscado. Desesperado, ele ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra as condições de vida no país. Seu ato resultou na própria morte e também numa série manifestações que se espalharam pela Tunísia e levaram o presidente Zine el-Abdine Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Ben Ali governava o país desde 1987. Os egípcios também foram às ruas após o sucesso dos tunisianos para exigir a saída de Hosni Mubarak, que estava no poder havia 30 anos. Ele demorou um pouco mais, 18 dias, para deixar o cargo. As manifestações se concentraram na praça Tahrir, no Cairo. Um ano após a saída dos ditadores, foram realizadas eleições nos dois países com a vitória de partidos islâmicos.

A primavera árabe também chegou à Líbia, onde foi necessária uma guerra civil de oito meses para tirar o coronel Muamar Kadafi, ditador que ocupava o poder havia 42 anos. Ele foi morto em um buraco de esgoto em Sirte, sua cidade natal. O último ditador a ser derrubado foi no Iêmen. O presidente Ali Abdullah Saleh resistiu por vários meses, mas transferiu o poder a um governo provisório. Em alguns países da Primavera Árabe, as estruturas não mudaram como no Marrocos, Argélia, Jordânia, Cisjordânia, Iraque, Irã, Kuwait, Bahren, Arábia Saudita, Omã e Síria - neste último, há guerra entre diferentes forças e o Estado Islâmico.

Imagem: ValeStock/Shutterstock.com



Revolução Russa

Muito da geopolítica mundial atual e da formação de algumas correntes ideológicas se deve à Revolução Russa ocorrida em 1917. Trata-se de um período de conflitos na Rússia que derrubou o poder absolutista dos czares para colocar no poder o Partido Bolchevique. Anos depois, em 1922, isso resultou na formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), o primeiro país socialista do mundo. A URSS durou até 1991 e foi uma das maiores potências mundiais, duelando com os Estados Unidos no período que ficou conhecido como Guerra Fria depois da Segunda Guerra Mundial.

Em 1917, a Rússia era um país pobre, com camponeses que trabalhavam muito e ganhavam pouco, sob o comando do czar Nicolau II. As condições de vida desagradavam a população e teve início uma série de manifestações.

De fato, foram duas revoluções no mesmo ano - respectivamente, a chamada revolução branca e a revolução vermelha ou de outubro, esta última sob liderança de Lenin. De início, foi preciso conter um guerra civil no país, que só foi controlada em 1921.  O Partido Bolchevique, que mais tarde se tornou Partido Comunista, usou a mão de ferro para controlar os seus opositores. Com a morte de Lenin em 1924, teve início uma forte disputa interna para assumir o poder da URSS. Stalin ganhou a briga e ficou no comando até 1953. Ao mesmo tempo em que o país se tornou um potência em suas mãos, por outro lado, ele estabeleceu um regime de terror e perseguição aos seus opositores, com a prisão e morte de milhões de pessoas.

Imagem: Domínio Público via Wikimedia Commons


Diretas Já

Em um período de crise econômica, desemprego e enfraquecimento do Regime Militar, a população brasileira foi às ruas para pedir eleições presidenciais diretas, em uma série de manifestações populares que ficou conhecida como Direitas Já. Os atos ocorreram entre 1983 e 1984 e, naquela época, João Figueiredo era o último militar no poder no Brasil.

A ideia do movimento partiu do senador Teotônio Vilela. A primeira manifestação aconteceu no dia 31 de março de 83, em Abreu Lima, Pernambuco, e foi organizada pelo PMDB. Depois, vieram manifestações em Goiânia, Curitiba e São Paulo. A capital paulista, no dia do seu aniversário, em 25 de janeiro, reuniu 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú. A primeira eleição direta para presidente ocorreu somente em 1989, quando foi eleito Fernando Collor.

Imagem: Arquivo/Agência Brasil via Wikipedia

 
Movimentos antiguerra do Vietnã

O governo dos Estados Unidos passou a ser questionado sobre os seus relatórios oficiais sobre a Guerra do Vietnã pela sua população quando fotos dos horrores do que ocorriam nos campos de batalha (principalmente com os soldados americanos) começaram a correr o mundo. De início, os protestos antiguerra eram pequenos e incluíam movimentos pelos direitos civis e trabalhistas. Porém, mais tarde, passou a abrigar estudantes, grupos que defendiam igualdade racial e justiça social - vale lembrar que negros, pobres e estudantes eram os convocados compulsórios para a lutar.

Naquela época, os americanos poderiam votar apenas com 21 anos, porém aos 18 os garotos já estavam aptos a lutar e morrer em uma guerra. Essa sensação de impotência diante do próprio futuro deu início a uma série de protestos e um grande movimento antiguerra nos Estados Unidos. A oposição à luta no Vietnã mobilizou os campi das principais universidades do país, levando à invasão de prédios e ao cerco a instalações universitárias que faziam pesquisa militar.

Os EUA entraram no conflito em 1965 para defender o Vietnã do Sul (capitalista) contra o Vietnã do Norte (comunista). Os norte-americanos deixaram o confronto em 1973, mas o conflito só foi oficialmente encerrado em 1975. Em 1976, o Vietnã se reunificou e passou a se chamar República Socialista do Vietnã.

Imagem: US Army (NARA) [Domínio Público], via Wikimedia Commons



Fontes: Estadão, Só História, Educação Globo, Revista Cult

Imagem destaque: Domínio Público via Wikimedia Commons