EGITO

Golpe que derrubou único presidente eleito do Egito completa 3 anos

Há exatamente três anos, um golpe de estado traçava novas linhas na longa história do Egito.

O chefe das Forças Armadas do país, o general Abdel Fattah al-Sissi, esteve à frente de um golpe de estado, que derrubou o único presidente eleito do país. Mohamed Morsi foi removido da presidência e a constituição egípcia foi suspensa com a tomada de poder dos militares.

Protestos

O governo de Morsi, empossado em junho de 2012, pertencia ao partido da Irmandade Muçulmana. Ele substituiu o militar Hosni Mubarak, ditador por quase 30, que foi deposto do cargo em janeiro de 2011 após a série de protestos pelo Oriente Médio conhecida como Primavera Árabe. 

O governo eleito de Morsi se mostrou incompetente, autocrático e também foi alvo de protestos. Além disso, Morsi se indispôs com os militares, um setor que tradicionalmente detém muito poder no Egito. Estava formado o ambiente para um golpe de estado.


Mão de ferro

Ironicamente, Morsi havia indicado Abdel Fattah al-Sissi para o cargo de Chefe das Forças Armadas do seu governo. Quarenta dias após o golpe, em 14 de agosto de 2013, a polícia e o Exército egípcios mataram 1.150 simpatizantes da Irmandade Muçulmana que realizavam protestos. Desde então, qualquer tipo de protesto contra o governo é reprimido e, por meio de decretos, tornou-se praticamente inexistente hoje em dia no país. Ou seja... para quem olha de fora, agora está tudo bem no Egito.

Sob o comando de Sissi, o Egito vive basicamente numa ditadura, em que direitos e liberdades civis não são respeitados e onde os militares concentram ainda mais poder. Isso tudo com o apoio da população e de vários setores da sociedade, além da anuência das grandes potências mundiais.

"Homem forte"

Após uma história de Primavera Árabe, eleição presidencial, golpe de estado e novamente uma ditadura após 30 anos de Mubarak, parece que o Egito voltou a aderir à velha receita do "homem forte para dar estabilidade ao país".

Este modelo, pelo que se viu até agora no Oriente Médio, serviu para mascarar problemas como pobreza, analfabetismo, sexismo, doenças, entre tantos outros, criando terrenos férteis para vários tipos de radicalismo.

Primavera árabe

Ninguém seria capaz de imaginar que o protesto de um jovem tunisiano poderia abalar um país e provocar um movimento de grandes proporções que ficou conhecido como Primavera Árabe. Em 2010, um universitário desempregado que vendia frutas para sustentar a família teve o carrinho confiscado. Desesperado, ele ateou fogo ao próprio corpo em protesto contra as condições de vida no país. Seu ato resultou na própria morte e também numa série manifestações que se espalharam pela Tunísia e levaram o presidente Zine el-Abdine Ben Ali a fugir para a Arábia Saudita apenas dez dias depois. Ben Ali governava o país desde 1987.

Os egípcios também foram às ruas após o sucesso dos tunisianos para exigir a saída de Hosni Mubarak, que estava no poder havia 30 anos. Ele demorou um pouco mais, 18 dias, para deixar o cargo. As manifestações se concentraram na praça Tahrir, no Cairo. Um ano após a saída dos ditadores, foram realizadas eleições nos dois países com a vitória de partidos islâmicos.

Líbia e outos países

A Primavera Árabe também chegou à Líbia, onde foi necessária uma guerra civil de oito meses para tirar o coronel Muamar Kadafi, ditador que ocupava o poder havia 42 anos. Ele foi morto em um buraco de esgoto em Sirte, sua cidade natal. O último ditador a ser derrubado foi no Iêmen. O presidente Ali Abdullah Saleh resistiu por vários meses, mas transferiu o poder a um governo provisório. Em alguns países da Primavera Árabe, as estruturas não mudaram como no Marrocos, Argélia, Jordânia, Cisjordânia, Iraque, Irã, Kuwait, Bahren, Arábia Saudita, Omã e Síria - neste último, há guerra entre diferentes forças e o Estado Islâmico. 

 


Fonte: Época

Imagem: Sherif9282 [CC BY-SA 3.0 or GFDL], via Wikimedia Commons