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ESCRAVIDÃO

Escravos africanos foram trazidos para o Brasil em mais de 9 mil viagens

O capítulo sobre a escravidão é um dos mais vergonhosos da nossa história. Durante mais de 300 anos, embarcações portuguesas ou brasileiras fizeram mais de 11,4 mil viagens traficando africanos aprisionados. Estima-se que 9,2 mil dessas viagens tiveram o Brasil  como destino. De acordo com o historiador Arlindo Manuel Caldeira, da Universidade Nova de Lisboa, os portugueses foram os pioneiros no comércio de escravos no Atlântico. 

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A Inglaterra entrou no comércio de escravos apenas 50 anos depois de Portugal, mas os ingleses fizeram o maior número de viagens negreiras no mundo, com 600 travessias a mais do que os portugueses  (nesse caso, o destino dos africanos eram as colônias inglesas no Caribe e os Estados Unidos). Apesar de algumas sociedades africanas terem participado do comércio escravagista, capturando pessoas de grupos rivais para vendê-las, historiadores ressaltam que foi a pressão dos europeus por escravos que levou ao crescimento do tráfico interno africano. Segundo Arlindo, sem a imposição dos europeus, a escravidão na África teria uma dimensão imensamente menor. 

Christopher DeCorse, professor de antropologia da Universidade de Syracuse, nos Estados Unidos, não tem dúvidas em afirmar que o mercado de escravos foi movido pelos europeus. De acordo com o especialista, foram eles que aportaram na costa africana e exigiram que os líderes locais lhes fornecessem escravos. 

Os dados sobre o número de escravos comercializados por europeus foram levantados pela The Trans-Atlantic Slave Trade Database, iniciativa internacional que reúne informações sobre o tráfico escravagista. Um dos resquícios mais antigos da presença portuguesa na África é Castelo de São Jorge da Mina, situado onde hoje é Gana. O local ficou conhecido por concentrar o comércio humano: mais de 30 mil escravos foram levados de lá para o Brasil. Preservado até hoje, o castelo foi declarado Patrimônio da humanidade, servindo como monumento aos horrores da escravidão.


 Fonte: BBC Brasil

Imagem: "Negres a fond de calle" ("Navio negreiro"), Johann Moritz Rugendas, Via Wikimedia Commons