POLÍTICA

Jânio Quadros

Jânio da Silva Quadros foi um ex-presidente do Brasil e figura controversa, que teve uma carreira marcada por uma ascensão política meteórica. Ele nasceu no dia 25 de janeiro de 1917, em Campo Grande (MS), e morreu em 16 de fevereiro de 1992 morria, em São Paulo, aos 75 anos, após sofrer três derrames cerebrais que comprometeram sua condição física.

O povo será a um tempo minha bússola e o meu destino.

Após concluir a faculdade de Direito em São Paulo, em 1939, montou um escritório de advocacia no centro da capital paulista. Filou-se ao PDC, foi candidato a vereador em 1947, mas não conseguiu a votação necessária. Contudo, foi beneficiado pela suspensão do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a consequente cassação de seus cargos parlamentares, sendo empossado vereador em 1948. Dois anos depois, tornou-se deputado estadual. Em 1953, foi eleito prefeito de São Paulo e, no ano seguinte, tornou-se governador do estado. Em 1960, decidiu concorrer à presidência do país pela União Democrática Nacional.

 

"Varre, varre, vassourinha".

Bebo-o porque é líquido, se fosse sólido comê-lo-ia.

Eleito com 48% dos votos, Jânio tomou posse como presidente no dia 31 de janeiro de 1961. Ele somou, aproximadamente, seis milhões de votos, ou seja, dois milhões a mais do que o seu rival, o marechal Henrique Lott. Jânio era o primeiro candidato oposicionista a subir ao poder, em toda a história da república brasileira até aquele momento. Sua vitória foi favorecida pela crise que o país atravessava no final dos anos 50, após a política desenvolvimentista do governo de JK.

A campanha política de Jânio Quadros foi marcada por um discurso de moralização com promessas de acabar com a corrupção e equilibrar as finanças públicas. Sua estratégia populista ganhou força com o slogan "Varre, varre, vassourinha". Além disso, seus comícios eram sempre embalados por banda uma musical e queima de fogos.

 

”Forças terríveis”

Durante seu governo provocou polêmica quando, por exemplo, conclamou o líder revolucionário cubano Ernesto Che Guevara para receber uma homenagem do governo brasileiro. Nesse mesmo período, o vice-presidente João Goulart foi enviado à China comunista para reforçar laços de cooperação política e econômica. Essas atitudes geraram controvérsia e desconfiança de parte da sociedade brasileira, já que Jânio Quadros se declarava anticomunista.

Após sete meses na presidência, ele renunciou ao cargo no dia 25 de agosto de 1961, afirmando que “”forças terríveis” atuavam contra ele. O ato pegou de surpresa toda a nação. Sua renúncia foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional, e especula-se que talvez Jânio não esperasse que sua carta-renúncia assinada fosse realmente entregue ao Congresso.

O popular Repórter Esso, em edição extraordinária naquele dia, atribuiu a renúncia a "forças ocultas", frase que Jânio não usou, mas que entrou para a história do Brasil.

Jânio Quadros alegou que a pressão de "forças terríveis" o obrigava a renunciar, mas ele não falou quais eram estas "forças". Com sua saída, teve início uma crise, já que os ministros militares vetavam o nome do vice João Goulart. Assim, o poder ficou provisoriamente com Ranieri Mazzili, enquanto acontecia a Campanha da Legalidade, em que se destacou  Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango.

 

Direitos políticos cassados

Nesta data e por este instrumento, deixando com o ministro da Justiça as razões do meu ato, renuncio ao mandato de presidente da república.

Houve a adoção do regime parlamentarista, que teve como primeiro Primeiro-Ministro Tancredo Neves. Este regime de governo, contudo, acabou após um plebiscito em 1963, quando também já haviam passado pelo cargo Brochado da Rocha e Hermes Lima. Com o Regime Militar em 1964, tanto Jânio Quadros, quanto os ex-presidentes João Goulart e Juscelino Kubitschek tiveram seus direitos políticos cassados.

Voltou à vida política no fim da década de 70 e foi derrotado na disputa pelo governo paulista. Nas eleições de 1985, contudo, elegeu-se prefeito de São Paulo, derrotando Fernando Henrique Cardoso. Após esse mandato, Jânio anunciou a sua aposentadoria e se retirou da vida pública.

 

Trecho da carta-renúncia

"Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública.

Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia.

Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.

O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.

Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo.

Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã.

Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor.

Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.

 

Brasília, 25-8-61".